Estratégias lúdicas na psicologia infantil: como o brincar se torna uma ferramenta terapêutica?
- Recriar Clínica de Psicologia

- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Na prática da psicologia clínica infantil, o psicólogo utiliza diferentes recursos terapêuticos para favorecer o desenvolvimento emocional e comportamental das crianças.

Entre essas ferramentas, as estratégias lúdicas ocupam um papel central no atendimento psicológico infantil, sendo amplamente reconhecidas por sua eficácia no processo terapêutico.
As estratégias lúdicas na psicologia consistem no uso de jogos, brincadeiras, desenhos, pinturas, colagens, dramatizações, histórias, criação de personagens, massinha de modelar, filmes e outras atividades simbólicas. Esses recursos permitem que a criança se expresse de forma espontânea, respeitando sua fase de desenvolvimento e sua forma natural de comunicação: o brincar.
O papel das estratégias lúdicas no atendimento psicológico infantil
Durante a terapia infantil, o uso de atividades lúdicas contribui para a construção do vínculo entre psicólogo e criança. Ao se sentir mais confortável e segura no ambiente terapêutico, a criança passa a participar das sessões com maior envolvimento, o que facilita a observação de seus sentimentos, comportamentos e percepções sobre o mundo ao seu redor.
Além disso, crianças tendem a demonstrar maior interesse e motivação para comparecer às sessões de atendimento psicológico quando estas incluem jogos e brincadeiras com intencionalidade terapêutica.
Como funciona na prática clínica?
Na prática, o psicólogo escolhe cuidadosamente cada estratégia lúdica com base em um objetivo terapêutico específico. Pode solicitar, por exemplo, que a criança desenhe sua família, crie uma história com personagens, participe de um jogo estruturado ou realize uma dramatização com bonecos ou fantoches.
Essas atividades permitem ao profissional compreender como a criança percebe suas relações familiares, como reage a regras, frustrações e desafios, além de identificar emoções, padrões de comportamento e valores aprendidos. A partir dessas informações, o psicólogo auxilia a criança a reconhecer as consequências de suas atitudes e a desenvolver novas formas de se comportar e se expressar.

Nem toda brincadeira é terapêutica
É importante destacar que, na psicologia infantil, o brincar não ocorre de forma aleatória. Todo jogo ou atividade escolhida precisa ter uma função terapêutica clara, alinhada aos objetivos do processo psicoterapêutico. O brincar, nesse contexto, é uma ferramenta de avaliação, intervenção e acolhimento emocional.
O psicólogo também considera as características individuais da criança, como idade, nível de desenvolvimento, interesses pessoais e capacidade de comunicação. Nem todas as crianças se identificam com as mesmas brincadeiras, o que exige sensibilidade e criatividade por parte do profissional.
Estratégias lúdicas como caminho para compreender o mundo da criança
Dependendo do estágio de desenvolvimento, algumas crianças se expressam mais verbalmente, enquanto outras comunicam seus sentimentos principalmente por meio do brincar. Por isso, o uso das estratégias lúdicas pode variar em intensidade e frequência ao longo do acompanhamento psicológico.
Em síntese, as estratégias lúdicas na psicoterapia infantil são fundamentais para que o psicólogo compreenda a criança em sua totalidade. Elas permitem acessar emoções, pensamentos e vivências que muitas vezes não são expressos em palavras, ajudando o profissional a enxergar o mundo sob o olhar da criança e a promover um cuidado psicológico mais eficaz e humanizado.




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