Amores destrutivos: por que tantas pessoas permanecem em relacionamentos que machucam?
- Recriar Clínica de Psicologia
- 3 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Especialistas explicam sinais, causas emocionais e caminhos para romper ciclos de abuso

São Paulo — Os chamados amores destrutivos têm se tornado tema frequente nas buscas digitais e nas discussões sobre saúde mental. Cada vez mais pessoas relatam viver — ou ter vivido — relações marcadas por sofrimento, dependência emocional e dificuldade de rompimento, mesmo sabendo que a relação lhes faz mal. Segundo psicólogos, compreender os mecanismos psicológicos por trás dos relacionamentos abusivos e dos relacionamentos tóxicos é essencial para identificar riscos e buscar ajuda.
Amor patológico: quando a busca por afeto se torna uma prisão emocional
Profissionais da saúde mental explicam que indivíduos com histórico de abandono, rejeição, baixa autoestima, sentimentos de inadequação ou experiências traumáticas tendem a desenvolver vínculos afetivos disfuncionais. É o que especialistas chamam de amor patológico, termo associado à dependência emocional e à idealização excessiva do parceiro. Essas pessoas, segundo psicólogos entrevistados, costumam ignorar sinais de alerta e acreditam que podem "salvar" o parceiro ou que o sofrimento é parte natural do amor — o que perpetua ciclos de dor e frustração.
Mudanças sociais e a evolução dos vínculos afetivos
Historicamente, relacionamentos eram estruturados para fins sociais, econômicos e familiares. Com o tempo, o amor romântico se tornou o principal motivo para união entre casais. Porém, especialistas alertam que sentimento não é garantia de saúde emocional.
Mesmo em relações baseadas na paixão e no afeto, as dinâmicas podem se transformar em controle, medo e dependência. “Muitas pessoas acreditam estar vivendo amor, mas na verdade estão inseridas em relações que sufocam, limitam e distorcem completamente o significado de amar”, afirma uma psicóloga consultada.
Apego e dependência emocional: por que é tão difícil romper?
Pesquisas em psicologia do apego mostram que o cérebro humano é biologicamente programado para buscar segurança, proteção e vínculo. O problema surge quando a figura que deveria oferecer cuidado se torna fonte de medo, instabilidade e agressão. Mesmo assim, o cérebro mantém o desejo de apego, criando uma sensação de vínculo quase inquebrável. Esse mecanismo explica por que relacionamentos destrutivos podem gerar dependência emocional, impedindo a pessoa de enxergar alternativas fora da relação.

Relacionamento abusivo: definição, sinais e riscos
O termo relacionamento abusivo é usado para descrever relações marcadas por controle, poder, manipulação e violência, seja física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
Principais sinais de abuso, segundo especialistas:
ciúme excessivo e possessividade;
controle sobre decisões, roupas, amizades e atividades;
isolamento social;
críticas constantes e humilhações;
agressões verbais ou físicas;
coerção sexual;
manipulação emocional e “promessas de mudança” que nunca se concretizam.
Profissionais reforçam que nenhuma dessas atitudes faz parte de um relacionamento saudável e que reconhecer os sinais é o primeiro passo para romper o ciclo.
Relacionamentos tóxicos x abusivos: diferenças e semelhanças
Embora frequentemente confundidos, especialistas destacam que:
Relacionamento abusivo envolve intencionalidade, controle, violência e dominação explícita.
Relacionamento tóxico é marcado por comportamentos prejudiciais à saúde emocional, mas nem sempre envolve violência ou controle direto. Pode incluir ciúmes, críticas constantes, instabilidade emocional e falta de limites.
Em ambos os casos, a autoestima da vítima é afetada, e a relação torna-se cada vez mais difícil de encerrar.
Por que muitas pessoas não conseguem sair?
As dificuldades para romper um relacionamento destrutivo são complexas e multifatoriais. Entre os principais motivos estão:
medo da reação do agressor;
dependência emocional;
dependência financeira;
isolamento social;
culpabilização da vítima;
falta de informação sobre processos legais e medidas protetivas;
esperança de mudança por parte do agressor.
Especialistas enfatizam que sair de um relacionamento abusivo é um processo, não um ato simples, e que a vítima nunca é responsável pelo abuso sofrido.

Como identificar se você está em um relacionamento abusivo?
Psicólogos indicam que é fundamental observar a frequência e a repetição dos comportamentos. Abuso não é um episódio isolado, mas um padrão que provoca medo, sofrimento emocional e perda de autonomia.
Se a relação envolve:
controle,
intimidação,
humilhação,
agressões (verbais, físicas ou emocionais),
chantagens,
vigilância,
empobrecimento emocional,
É possível que se trate de um relacionamento abusivo.
O que fazer? Onde buscar ajuda?
Ao reconhecer sinais de amor destrutivo ou violência psicológica, os especialistas recomendam:
buscar apoio psicológico;
conversar com amigos e familiares de confiança;
procurar serviços de assistência social;
acionar órgãos legais e medidas protetivas, se necessário;
não enfrentar o agressor sozinho.
“Todos têm o direito de viver relacionamentos saudáveis, baseados em respeito, liberdade e segurança”, reforçam profissionais da área.
Se você está vivendo um relacionamento abusivo, procure ajuda. A violência nunca é culpa da vítima — e romper o ciclo é possível.
