Abordagens Terapêuticas: o que são e como funcionam?
- Recriar Clínica de Psicologia

- 8 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Guia para entender os principais tipos de terapia na psicologia.
No universo da psicologia clínica, um dos temas que mais desperta dúvidas entre pacientes é o funcionamento das abordagens terapêuticas. Afinal, qual é a diferença entre elas? Como cada linha teórica interpreta o sofrimento psíquico? E, antes de tudo, qual é a diferença entre o papel do psicólogo e do psiquiatra — profissionais frequentemente confundidos na busca por cuidado em saúde mental?
Neste artigo, apresentamos um panorama jornalístico e acessível das abordagens psicoterapêuticas mais utilizadas, destacando conceitos, métodos e objetivos de cada uma.

Psicólogo x Psiquiatra: funções distintas e complementares
Antes de falar sobre as abordagens terapêuticas, é fundamental distinguir o trabalho de cada profissional da saúde mental:
Psicólogo
Formado em Psicologia (5 anos), pode atuar em diversos contextos — clínica, instituições e empresas.Trabalha diretamente com emoções, comportamentos, padrões psíquicos e causas do sofrimento.Seu foco é compreender a subjetividade e promover transformação emocional e comportamental.
Psiquiatra
Médico formado em Medicina (6 anos) com residência em psiquiatria (3 anos).Atua com a dimensão orgânica dos transtornos mentais, utilizando medicamentos quando necessário.Foca nos sintomas, enquanto o psicólogo trabalha nas raízes do sofrimento.
Apesar de diferentes, ambos atuam de forma complementar no cuidado integral da saúde mental.
O que são abordagens terapêuticas?
Na psicologia, uma abordagem terapêutica é o conjunto de teorias que orienta o trabalho do psicoterapeuta. Ela determina:
como o profissional compreende o ser humano;
como interpreta sintomas e comportamentos;
quais técnicas serão usadas durante as sessões;
qual é o foco do processo terapêutico.
Não existe “melhor abordagem”. Cada uma oferece caminhos diferentes para compreender o indivíduo e suas relações com o mundo.
A seguir, as principais abordagens psicoterapêuticas presentes na clínica contemporânea.
Psicanálise: a terapia do inconsciente
Criada por Sigmund Freud, a Psicanálise é uma das linhas mais conhecidas. Parte da ideia de que grande parte do comportamento humano é influenciada pelo inconsciente — uma região psíquica fora do nosso acesso direto.
Técnicas clássicas:
associação livre, em que o paciente fala livremente;
análise de sonhos;
interpretação de lapsos, fantasias e conflitos internos.
A Psicanálise entende o sujeito como um “iceberg”: uma pequena parte consciente e uma grande parte oculta. Nomes como Melanie Klein, Winnicott, Bion, Lacan e André Green ampliaram essa teoria ao longo do século XX.

Terapia Analítica (Junguiana): símbolos, sonhos e inconsciente coletivo
Desenvolvida por Carl Gustav Jung, a Psicologia Analítica considera que o inconsciente não é apenas pessoal, mas também coletivo, composto por arquétipos universais.
Principais recursos:
análise de sonhos;
uso de desenhos, escrita e expressões simbólicas;
técnica da caixa de areia (Sandplay), que permite representar conflitos internos de forma criativa.
Seu foco é integrar aspectos conscientes e inconscientes para favorecer a individuação — o processo de tornar-se quem realmente se é.
Terapia Comportamental: foco no comportamento observável
Baseada no behaviorismo, a Terapia Comportamental entende que o ambiente molda o comportamento. Utiliza técnicas como:
reforço positivo;
extinção de comportamentos;
exposição gradual (essencial no tratamento de ansiedade e fobias);
condicionamento clássico e operante.
Seu objetivo é substituir comportamentos desadaptativos por ações mais funcionais.
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ciência, clareza e resultados
A TCC é uma das abordagens mais pesquisadas na psicologia moderna e amplamente recomendada no tratamento de:
transtornos de ansiedade;
depressão;
compulsões;
fobias;
padrões de pensamento disfuncional.
A TCC trabalha com a identificação e modificação dos pensamentos automáticos e crenças negativas que influenciam emoções e comportamentos.
Características:
protocolos estruturados;
metas claras;
técnicas baseadas em evidências;
prevenção de recaídas.
Gestalt Terapia: o aqui e agora como fonte de transformação
A Gestalt considera o indivíduo em interação constante com seu meio.O foco está no presente, no que o paciente sente agora, independentemente da origem histórica do problema.
A abordagem considera o indivíduo como um todo, enfatizando:
consciência do momento presente;
contato saudável com o ambiente;
integração de experiências para restaurar equilíbrio.
Psicoterapia Existencial: sentido, liberdade e responsabilidade
Baseada no existencialismo, essa abordagem investiga questões fundamentais da existência humana:
propósito;
liberdade e escolhas;
solidão;
finitude.
O terapeuta não dá respostas prontas: ele conduz o paciente a explorar caminhos e assumir responsabilidade por sua própria vida.
Fenomenologia: compreender a experiência como ela é
A abordagem fenomenológica busca compreender a experiência subjetiva sem julgamentos ou teorias pré-definidas.
Foca em:
descrição da experiência;
escuta aberta;
compreensão sem rótulos.
Diferente da terapia existencial, a fenomenologia considera que escolhas são influenciadas pelo contexto e pela história de vida.
Psicoterapia Humanista: empatia e autenticidade
Criada por Carl Rogers, a terapia humanista vê o paciente como o protagonista de seu próprio processo.
Baseia-se em três pilares:
empatia;
aceitação incondicional;
autenticidade.
O terapeuta funciona como um facilitador que promove autoconhecimento e crescimento pessoal.

Psicodrama: corpo, ação e relações
O Psicodrama utiliza recursos teatrais para trabalhar conflitos emocionais e interpessoais.Acontece em grupo e envolve dramatização de situações internas ou sociais.
Favorece:
experimentação de novos papéis;
compreensão de padrões relacionais;
construção de soluções criativas.
Terapia dos Esquemas: transformando padrões profundos
Criada por Jeffrey Young, a Terapia dos Esquemas combina TCC e psicodinâmica.Seu foco é identificar esquemas maladaptativos precoces, padrões emocionais e cognitivos enraizados na infância e que influenciam a vida adulta.
Trata especialmente:
padrões repetitivos de relacionamento;
autossabotagem;
esquemas de abandono, culpa, rejeição e exigência extrema.
Por que entender as abordagens terapêuticas importa?
Compreender como cada linha funciona ajuda o paciente a:
escolher a forma de cuidado mais alinhada ao seu perfil;
compreender o processo terapêutico;
identificar expectativas realistas;
fortalecer o vínculo com o psicoterapeuta.
A psicoterapia é um processo profundamente pessoal, e sua eficácia depende da escolha de uma abordagem que faça sentido para a história, necessidades e subjetividade do indivíduo.




Comentários