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Abordagens Terapêuticas: o que são e como funcionam?

Guia para entender os principais tipos de terapia na psicologia.


No universo da psicologia clínica, um dos temas que mais desperta dúvidas entre pacientes é o funcionamento das abordagens terapêuticas. Afinal, qual é a diferença entre elas? Como cada linha teórica interpreta o sofrimento psíquico? E, antes de tudo, qual é a diferença entre o papel do psicólogo e do psiquiatra — profissionais frequentemente confundidos na busca por cuidado em saúde mental?


Neste artigo, apresentamos um panorama jornalístico e acessível das abordagens psicoterapêuticas mais utilizadas, destacando conceitos, métodos e objetivos de cada uma.



Psicólogo x Psiquiatra: funções distintas e complementares


Antes de falar sobre as abordagens terapêuticas, é fundamental distinguir o trabalho de cada profissional da saúde mental:


Psicólogo

Formado em Psicologia (5 anos), pode atuar em diversos contextos — clínica, instituições e empresas.Trabalha diretamente com emoções, comportamentos, padrões psíquicos e causas do sofrimento.Seu foco é compreender a subjetividade e promover transformação emocional e comportamental.


Psiquiatra

Médico formado em Medicina (6 anos) com residência em psiquiatria (3 anos).Atua com a dimensão orgânica dos transtornos mentais, utilizando medicamentos quando necessário.Foca nos sintomas, enquanto o psicólogo trabalha nas raízes do sofrimento.

Apesar de diferentes, ambos atuam de forma complementar no cuidado integral da saúde mental.


O que são abordagens terapêuticas?


Na psicologia, uma abordagem terapêutica é o conjunto de teorias que orienta o trabalho do psicoterapeuta. Ela determina:

  • como o profissional compreende o ser humano;

  • como interpreta sintomas e comportamentos;

  • quais técnicas serão usadas durante as sessões;

  • qual é o foco do processo terapêutico.


Não existe “melhor abordagem”. Cada uma oferece caminhos diferentes para compreender o indivíduo e suas relações com o mundo.

A seguir, as principais abordagens psicoterapêuticas presentes na clínica contemporânea.


Psicanálise: a terapia do inconsciente


Criada por Sigmund Freud, a Psicanálise é uma das linhas mais conhecidas. Parte da ideia de que grande parte do comportamento humano é influenciada pelo inconsciente — uma região psíquica fora do nosso acesso direto.


Técnicas clássicas:

  • associação livre, em que o paciente fala livremente;

  • análise de sonhos;

  • interpretação de lapsos, fantasias e conflitos internos.


A Psicanálise entende o sujeito como um “iceberg”: uma pequena parte consciente e uma grande parte oculta. Nomes como Melanie Klein, Winnicott, Bion, Lacan e André Green ampliaram essa teoria ao longo do século XX.



Terapia Analítica (Junguiana): símbolos, sonhos e inconsciente coletivo


Desenvolvida por Carl Gustav Jung, a Psicologia Analítica considera que o inconsciente não é apenas pessoal, mas também coletivo, composto por arquétipos universais.


Principais recursos:

  • análise de sonhos;

  • uso de desenhos, escrita e expressões simbólicas;

  • técnica da caixa de areia (Sandplay), que permite representar conflitos internos de forma criativa.


Seu foco é integrar aspectos conscientes e inconscientes para favorecer a individuação — o processo de tornar-se quem realmente se é.


Terapia Comportamental: foco no comportamento observável


Baseada no behaviorismo, a Terapia Comportamental entende que o ambiente molda o comportamento. Utiliza técnicas como:

  • reforço positivo;

  • extinção de comportamentos;

  • exposição gradual (essencial no tratamento de ansiedade e fobias);

  • condicionamento clássico e operante.


Seu objetivo é substituir comportamentos desadaptativos por ações mais funcionais.


Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): ciência, clareza e resultados


A TCC é uma das abordagens mais pesquisadas na psicologia moderna e amplamente recomendada no tratamento de:

  • transtornos de ansiedade;

  • depressão;

  • compulsões;

  • fobias;

  • padrões de pensamento disfuncional.


A TCC trabalha com a identificação e modificação dos pensamentos automáticos e crenças negativas que influenciam emoções e comportamentos.


Características:

  • protocolos estruturados;

  • metas claras;

  • técnicas baseadas em evidências;

  • prevenção de recaídas.


Gestalt Terapia: o aqui e agora como fonte de transformação


A Gestalt considera o indivíduo em interação constante com seu meio.O foco está no presente, no que o paciente sente agora, independentemente da origem histórica do problema.


A abordagem considera o indivíduo como um todo, enfatizando:

  • consciência do momento presente;

  • contato saudável com o ambiente;

  • integração de experiências para restaurar equilíbrio.


Psicoterapia Existencial: sentido, liberdade e responsabilidade


Baseada no existencialismo, essa abordagem investiga questões fundamentais da existência humana:

  • propósito;

  • liberdade e escolhas;

  • solidão;

  • finitude.


O terapeuta não dá respostas prontas: ele conduz o paciente a explorar caminhos e assumir responsabilidade por sua própria vida.


Fenomenologia: compreender a experiência como ela é


A abordagem fenomenológica busca compreender a experiência subjetiva sem julgamentos ou teorias pré-definidas.


Foca em:

  • descrição da experiência;

  • escuta aberta;

  • compreensão sem rótulos.


Diferente da terapia existencial, a fenomenologia considera que escolhas são influenciadas pelo contexto e pela história de vida.


Psicoterapia Humanista: empatia e autenticidade


Criada por Carl Rogers, a terapia humanista vê o paciente como o protagonista de seu próprio processo.


Baseia-se em três pilares:

  • empatia;

  • aceitação incondicional;

  • autenticidade.


O terapeuta funciona como um facilitador que promove autoconhecimento e crescimento pessoal.



Psicodrama: corpo, ação e relações


O Psicodrama utiliza recursos teatrais para trabalhar conflitos emocionais e interpessoais.Acontece em grupo e envolve dramatização de situações internas ou sociais.


Favorece:

  • experimentação de novos papéis;

  • compreensão de padrões relacionais;

  • construção de soluções criativas.


Terapia dos Esquemas: transformando padrões profundos


Criada por Jeffrey Young, a Terapia dos Esquemas combina TCC e psicodinâmica.Seu foco é identificar esquemas maladaptativos precoces, padrões emocionais e cognitivos enraizados na infância e que influenciam a vida adulta.


Trata especialmente:

  • padrões repetitivos de relacionamento;

  • autossabotagem;

  • esquemas de abandono, culpa, rejeição e exigência extrema.


Por que entender as abordagens terapêuticas importa?


Compreender como cada linha funciona ajuda o paciente a:

  • escolher a forma de cuidado mais alinhada ao seu perfil;

  • compreender o processo terapêutico;

  • identificar expectativas realistas;

  • fortalecer o vínculo com o psicoterapeuta.


A psicoterapia é um processo profundamente pessoal, e sua eficácia depende da escolha de uma abordagem que faça sentido para a história, necessidades e subjetividade do indivíduo.


 
 
 

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