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Ansiedade: o que é, como reconhecer seus sinais e quando buscar ajuda profissional

Especialistas explicam que existe a ansiedade normal, considerada saudável e adaptativa, e a ansiedade patológica, que pode comprometer o bem-estar emocional e a qualidade de vida. Entender essa diferença é fundamental para reconhecer quando a ansiedade deixa de ser um alerta útil e passa a se tornar um problema.



Ansiedade normal: uma resposta biológica que nos protege


A chamada ansiedade normal é um mecanismo fisiológico que prepara o corpo para lidar com situações de perigo ou desafio — reação conhecida como “luta ou fuga”. Ao longo da história humana, essa resposta foi essencial para a sobrevivência diante de ameaças reais.

Nos dias atuais, a ansiedade saudável continua tendo papel importante: ela mobiliza energia para eventos como entrevistas de emprego, provas, decisões importantes ou apresentações públicas. Quando equilibrada, funciona como um sinal de preparação, não como um obstáculo.


Quando a ansiedade se torna patológica


A ansiedade patológica surge quando essa resposta deixa de ser proporcional às situações vividas e passa a gerar sofrimento intenso, medo constante e prejuízos nas atividades diárias. Diferentemente da ansiedade funcional, a ansiedade patológica paralisa, limita e pode levar ao isolamento.


Pessoas acometidas por transtornos de ansiedade podem evitar lugares, compromissos e interações sociais, mesmo quando não existe perigo real. Essa evitação reduz oportunidades, afeta relações e compromete a vida profissional e afetiva. Em muitos casos, a pessoa sente medo sem saber exatamente do quê — um sinal típico dos transtornos de ansiedade.


Crise de ansiedade: sintomas e como identificá-la


Uma crise de ansiedade é uma experiência intensa e angustiante. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Taquicardia

  • Falta de ar ou sensação de sufocamento

  • Tonturas e vertigens

  • Suor excessivo

  • Aperto no peito ou nó na garganta

  • Medo intenso ou sensação de pânico

  • Pensamentos obsessivos e preocupação descontrolada

  • Sensação de perda de controle ou medo de morte


Em situações mais graves, pode ocorrer despersonalização ou um ataque de pânico. Como alguns sintomas podem se assemelhar aos de outras condições médicas, é essencial buscar avaliação profissional.



Como é feito o tratamento da ansiedade?


O tratamento da ansiedade patológica deve ser realizado por profissionais qualificados, como psicólogos, psiquiatras e neurologistas. A intervenção costuma envolver:

  • Psicoterapia, para identificação de gatilhos e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento.

  • Medicação, como ansiolíticos ou antidepressivos, quando indicado pelo psiquiatra.

  • Mudanças no estilo de vida, incluindo práticas de relaxamento, atividades prazerosas, meditação, exercício físico e ajustes na alimentação.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 10% da população brasileira convive com algum transtorno de ansiedade — um número que reforça a importância do diagnóstico e do tratamento adequado.


Ansiedade e vida moderna: por que estamos cada vez mais ansiosos?


Diversos fatores contemporâneos contribuem para o aumento dos quadros de ansiedade. Entre eles:


1. Excesso de estímulos digitais

O uso constante de redes sociais, a necessidade de produtividade permanente e a comparação social aumentam a pressão interna e geram sensação de inadequação.


2. Ritmo acelerado das grandes cidades

Ambientes fechados, ausência de luz natural, longas jornadas de trabalho, trânsito intenso e poluição sonora impactam diretamente a saúde mental.


3. Falta de autocuidado

Muitas pessoas negligenciam o próprio descanso, ignoram limites e deixam suas necessidades emocionais para depois. Sem “esvaziar a garrafa” — metáfora para processar emoções — chega-se ao transbordamento.


4. Expectativas externas e conflitos internos

Conflitos entre o que queremos ser e o que os outros esperam de nós são terreno fértil para o desenvolvimento da ansiedade. Esse descompasso muitas vezes remonta à infância, quando absorvemos expectativas familiares e sociais.



O papel do psicólogo no tratamento da ansiedade


O psicólogo atua na compreensão dos comportamentos, pensamentos e emoções que sustentam a ansiedade. Através de um processo terapêutico seguro e acolhedor, o paciente identifica padrões disfuncionais e desenvolve novos modos de lidar com suas questões internas.


Durante esse processo, é comum sentir ansiedade, já que mexer em estruturas antigas exige coragem e adaptação. No entanto, é justamente esse movimento que possibilita crescimento, mudança e construção de uma vida mais significativa.


Como conviver melhor com a própria ansiedade


Conviver bem com a ansiedade é possível — e necessário. Isso exige:

  • Reconhecer gatilhos emocionais no dia a dia

  • Reavaliar escolhas que não fazem sentido

  • Cultivar relações e ambientes que promovam bem-estar

  • Reduzir hábitos que alimentam estresse e sobrecarga

  • Priorizar momentos de pausa, descanso e reflexão

  • Buscar psicoterapia e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico


A ansiedade não precisa ser uma inimiga. Com informação, apoio profissional e práticas de autocuidado, é possível entender esse mecanismo, aprender a regulá-lo e recuperar o equilíbrio interno.

 
 
 

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